O preconceito está enraizado na cultura brasileira

Não dá para tratar a sociedade com igualdade quando não há igualdade. O ser humano é diferente por essência — seja no que tange à salubridade, à sanidade mental, à cultura, aos paradigmas socioeconômicos. De modo inerente a isso, hão normativos criados na sociedade brasileira.

As leis existem para amparar e igualizar as pessoas, porque estas são diferentes por inúmeros fatores. Não há motivos para existir uma política de cotas a brancos, pois os brancos não foram/são tratados como inferiores historicamente, posto que sempre foram vistos como “mais civilizados”. Não faz sentido criar uma lei “anti-heterofobia”, visto que ninguém sofre preconceitos por ser heterossexual. É ultrajante cogitar a hipótese de leis que visem a proteção masculina, porque as mulheres são inferiorizadas nessa sociedade patriarcal, e não o contrário.

Partindo do mesmo pressuposto, é possível observar que a sociedade nacional é preconceituosa tradicionalmente. As pessoas nem sequer sabem se estão sendo preconceituosas; ficam com dúvidas sobre se a atitude que estão tendo é correta ou não. O humor depreciativo e discriminatório é a prática mais nítida de que as pessoas são preconceituosas descrentes de que o sejam. Dizem que “não passa de humor”, mas não sabem como destratar uma pessoa por uma característica sua possa ser nocivo à vítima. Não percebem a injúria que fazem, não percebem que se a piada fosse dita sem um tom humorístico seria tratada como totalmente discriminatória.

Não faz sentido algum criar-se um padrão de beleza eurocêntrico num país latino com tamanha miscigenação, é masoquismo! O padrão de beleza deveria ser traços da nossa cultura, não de outras. Não deveríamos endeusar europeus, mas as nossas pessoas e diversidades.

O normativo da sociedade brasileira se dá aos brancos, aos católicos, aos sulistas/sudestinos, aos heterossexuais, aos magros, à monogamia e ao casamento, e por aí vai. E tudo aquilo que não se adequa ao normativo (a maioria, posto que no Brasil poucos são os caucasianos) é visto com desdém, é tratado com despeito, é alvo de chacota e discriminação. A pessoa não deve ser tratada como inferior se não se adequar às características preestabelecidas, se for diferente do que a maioria trata como normal. Tudo é normal em tamanha diversidade, anormal é se prender a padrões!

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2 pensamentos sobre “O preconceito está enraizado na cultura brasileira

  1. Uma coisa que eu acho um preconceito é criar leis de quota, por exemplo, para negros ou essas “vantagens”, é tratar o negro como burro, favelado ou sem cultura, que precisa de “vantagens” em provas, como se ele não fosse capáz de estudar assim como qualquer outra pessoa. Infelizmente existe preconceito em tudo, nós mesmos por mais que seja acabamos que por ser preconceituosos, por mais insignificante seja nosso preconceito não o deixa de ser, a coisa mais feia é, ter o preconceito e julga-lo por isso, tentar afasta-lo, inferioriza-lo ou qualquer coisa que o agrida, infelizmente isso é realidade aqui, como em todo o resto do globo.

    • Não se trata de preconceito, João. O preconceito ocorreu durante séculos no nosso país. Sabemos disso. As leis de cotas não inferiorizam os negros, elas existem por fatores históricos (o negro sempre foi subordinado), por fatores econômicos (olhe quantos negros existem em universidades privadas e públicas, o número é irrisório num país onde boa parte da população é negra), e por tudo isso. É uma compensação ao negro por tudo o que ele passou, e ainda sim é pouco, porque ele lida com o preconceito todos os dias ainda.

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